Diariamente, vemos propagandas de dentistas sugerindo o uso do fio dental.
Até aí as únicas coisas que impedem a maioria das pessoas de usar a pequena cordinha branca é a preguiça ou falta de dinheiro. Afinal, essas pessoas têm as duas mãos funcionando perfeitamente e podem usar o fio dental sem problemas, né?
Mas como fica quem só tem uma mão ou só movimenta uma delas? Alguém aí já pensou nisso?
Pra resolver esse problema, criaram um fio dental adaptado. Esse da foto é fio em uma ponta e palito na outra! rs
FULFARO, M. A.; COUTO, T. V. Mudanças comportamentais e tecnologia assistiva como recursos na prevenção de quedas. In: VII Congresso Paulista de Geriatria e Gerontologia, 2011, Santos – SP. Anais do VII Congresso Paulista de Geriatria e Gerontologia e VI Simpósio das Ligas de Geriatria e Gerontologia, 2011.
Introdução: Atualmente, estudos brasileiros apontam que a prevalência de quedas em idosos é de aproximadamente 34,8%. Esse tipo de acidente pode trazer importantes problemas a essa população – além das já conhecidas fraturas – como as incapacidades físicas, o medo, a ansiedade com relação a doenças e ao futuro, e sentimentos de humilhação. Objetivo: Apresentar a mudança comportamental e o uso de tecnologia assistiva como recursos da Terapia Ocupacional no trabalho de prevenção de quedas de idosos por meio de dados colhidos em revisão de literatura.
A Terapia Ocupacional está caindo na boca do povo como se diz por aí. E quem assiste a novela das oito, Viver a Vida, sabe do que estou falando.
Desde que teve um acidente e ficou tetraplégica, Luciana, personagem interpretada por Alinne Moraes, tem recebido acompanhamento de vários profissionais de saúde, dentre eles uma terapeuta ocupacional.
Em um dos meus textos, escrevi que esses terapeutas são responsáveis por fazer com que as pessoas voltem – na medida do possível – a realizar suas atividades, como comer e tomar banho, sozinhas.
A Terapia ocupacional é uma profissão que trabalha em prol da inclusão das pessoas. Uma de suas tarefas é treinar a utilização de novas tecnologias, como ensinar um tetraplégico a usar um computador, fazer adaptações em cadeiras de rodas e mudanças ambientais, como as feitas para a prevenção de quedas ou otimização do uso do espaço.
Nas andanças pela internet vi um vídeo bem legal que ilustra um pouco isso.
Ele foi feito no ano passado em comemoração ao Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, 3 de dezembro, e mostra um grupo de bolinhas e um quadradinho brincando juntos. Tudo está bem até que eles resolvem usar um brinquedo que possui uma porta redonda, por onde só passa as bolinhas. O que acontece depois? Assistam ao vídeo e vejam.
Está em espanhol, mas a animação fala por si e dá para entender a mensagem.
Um trabalho importante que faço no Hospital do Servidor é ensinar meus pacientes a proteger suas articulações, e a economizar energia – essas são aliás, especialidades exclusivas dos terapeutas ocupacionais. E não tem nada a ver com ficar menos tempo no chuveiro, não. A energia que os pacientes precisam economizar é a energia do corpo, de articulações lesionadas, de músculos cansados.
Separei aqui três exemplos que fazem parte do dia-a-dia de quase todo mundo. São esforços desnecessários e perigosos ao nosso corpo. Felizmente, corrigi-los é muito fácil. Veja só:
Maçanetas
As maçanetas redondas costumam exigir um grande esforço dos dedos em uma posição nada confortável. A energia usada ali pode ser economizada se for usada uma fechadura comprida, que é mais fácil de abrir.
Torneiras
Problema semelhante ocorre com as torneiras de misturador (aquela parte que a gente gira) redondo. Se alguém fechar a torneira com muita força, coitadas das articulações de quem for tentar abrir! O problema se resolve trocando o misturador por um comprido ou em formato de cruz.
Roupa torcida
Torcer roupa pode ser uma atividade perigosa para quem tem algum problema nas mãos ou nos braços, como artrite reumatóide ou tendinite. E quem não tem problemas, quando torce a roupa com muita força, é um forte candidato a vir a ter. Minha dica é que a roupa seja presa na torneira e depois torcida. Isso reduz muito o esforço, economiza energia.
Você já parou para pensar em como uma pessoa com deficiência visual usa o computador? Ou então como quem não movimenta as mãos faz para mexer o mouse e dar um “clique”? E você conseguiria ficar sem acessar internet, porque não consegue movimentar seu corpo?
Os sistemas operacionais vêm com programas de acessibilidade, mas poucas pessoas conhecem esses recursos. O Windows, por exemplo, traz consigo o teclado virtual e a lente de aumento. O primeiro abre na tela um teclado, como os que aparecem quando entramos em um site de banco, e o segundo permite aumentar o texto da tela em até 9 vezes. Para dar uma olhadinha é só ir em “Iniciar”, “Programas”, “Acessórios” e “Acessibilidade”.
Paciência para enfrentar as ruas esburacadas, a falta de rampas de acesso, os valores exorbitantes das cadeiras (por volta de dois mil reais uma nacional de qualidade média), a manutenção periódica (é gente, cadeira de rodas também precisa trocar pneu…), o restrito número de ônibus adaptados e a dificuldade em encontrar táxis que levem esse preciso objeto.
Além disso, ter uma cadeira de rodas segura e confortável é fundamental, pois do contrário quem a usa acaba adquirindo alguns problemas de saúde, como úlceras por pressão – machucados que surgem graças a compressão contínua da pele contra superfícies duras -, dor nas costas, nos ombros e nos braços.
Para tentar aliviar um pouco a vida de quem tem que enfrentar todos esses desafios, engenheiros, arquitetos, designers e muitos profissionais da saúde trabalham continuamente. Daqui a uma semana, em São Paulo, será possível conferir um pouco desse trabalho na Reatech (que oficialmente se chama Feira internacional de tecnologias em reabilitação, inclusão e acessibilidade).
Em todo território nacional encontramos serviços gratuitos de saúde mental que oferecem atendimento com equipe de reabilitação completa, com terapeutas ocupacionais, psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros.
20/01/2012
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