Recebi um presente muito especial e gostaria de dividir com vocês.
Esse poema foi escrito por um senhor que atendo, pois ele tem problemas com esquecimentos.
Para mim, quanto mais energia colocamos para conseguir ou fazer um presente maior é seu valor.
Sei que no caso do seu José o empenho teve que ser enorme, o que me faz admirá-lo pela coragem em tentar, e conseguir, vencer os fantasmas da perda de memória.
Espero que gostem!
Mariana,
Escrevi para dá-lo um poema
com palavras que me vieram na hora,
na verdade, um soneto, mas agora
… onde achá-lo? Aí está o problema.
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Foi andando pelos corredores do Hospital do Servidor - onde sou terapeuta ocupacional da área de geriatria – que conheci o poeta José Teodoro Neto.
Logo de cara fui conquistada pela simpatia e simplicidade dele e de sua esposa, dona Maria, com quem cultiva algumas décadas de união. Por isso, eu gostaria de prestar uma homenagem a eles, mostrando um pouco do trabalho do seu José.
Depois de boas conversas – e de ser presenteada com uma linda capelinha em madeira – descobri que ele já ganhou alguns prêmios com seus versos, e que tem até obra exposta lá na Igreja de São Francisco, no centro de São Paulo.
Do alto dos seus 80 anos, José é sócio emérito da Casa do Poeta de São Paulo, e não para de escrever. Confiram:
O NOME JOSÉ
José é um nome singelo
fácil de ser pronunciado
e até no livro sagrado
vemo-lo também escrito.
Vem dos primórdios da História
De antes mesmo de Moisés,
o primeiro dos “JOSÉS”
que foi o – JOSÉ DO EGITO.
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Já publiquei alguns textos sobre a doença de Alzheimer. A partir deles, é possível entender um pouco o quanto é difícil e desgastante, tanto emocionalmente quanto fisicamente, cuidar de uma pessoa querida com esse problema.
Tudo começa com os pequenos esquecimentos e mudanças de comportamento. Alguns anos depois, o companheiro, ou outra pessoa da família, se dá conta de que tem algo errado e procura um médico, que dá a sentença: tem Alzheimer.
Esse diagnóstico é um marco na vida de muitas famílias. Tudo muda a partir daí, e muitos se vêem sozinhos. Não há ninguém para ajudar ou para desabafar. Mesmo os que antes faziam visitas frequentes e dividiam os almoços de domingo, agora parecem ter se esquecido de qualquer laço que possuíam.
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Nas minhas andanças pelos livros encontrei essa poesia de José Delcy Thenório sobre o envelhecimento. Não sei se é um desabafo, mas vale a pena dar uma lida, é emocionante.
A VELHICE
Certa vez alguém me disse
Que o sintoma da velhice
É por demais conhecido
Quem tiver a visão turva
A coluna meio curva
Caminha nesse sentido
Perda de parte do tato
Do paladar e do olfato
Também são outros sinais
Passa o tempo ali na sala
Não desgruda da bengala
Pois andar firme, jamais
Um começo de surdez
Sentido mais de uma vez
Ou tremer de vez em quando
São alguns sinais de alerta
Da partida quase certa
Que o momento vem chegando
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13/01/2011
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