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	<title>Mariana Fulfaro Terapeuta Ocupacional &#187; Abandono</title>
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	<description>Terapia Ocupacional traz de volta a vida</description>
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		<title>Terapia Ocupacional e bisavós no Programa Show Mais</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Jan 2011 22:30:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana Fulfaro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Idosos]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana na Mídia]]></category>
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		<category><![CDATA[Prevenção]]></category>

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		<description><![CDATA[Na semana passada participei pela primeira vez de um programa de TV. Fui ao Programa Show Mais do Darcio Arruda, na Rede TV+, para falar sobre bisavós e o convívio deles com as gerações mais novas. Como nunca havia ido a um programa de televisão, no começo estava um pouco ansiosa, mas com o desenrolar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na semana passada participei pela primeira vez de um programa de TV. <img src='http://www.marianaterapeutaocupacional.com/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':-D' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Fui ao <a title="Programa Show Mais" href="http://www.redetvmais.com.br/showmais/index.asp?dia=20&amp;mes=5&amp;ano=2009" target="_blank">Programa Show Mais</a> do <a title="Darcio Arruda" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%A1rcio_Arruda" target="_blank">Darcio Arruda</a>, na <a title="Rede TV Mais" href="http://www.redetvmais.com.br/" target="_blank">Rede TV+</a>, para falar sobre bisavós e o convívio deles com as gerações mais novas.</p>
<p>Como nunca havia ido a um programa de televisão, no começo estava um pouco ansiosa, mas com o desenrolar da entrevista fiquei tranquila.</p>
<p><span id="more-1111"></span></p>
<p>Foi muito legal poder conversar ao vivo com <a title="Darcio Arruda" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%A1rcio_Arruda" target="_blank">Darcio Arruda</a> e os outros dois convidados &#8211; os psicólogos Patrícia Porto e Germano Polizel &#8211; sobre um tema tão importante sabendo que ele está sendo transmitido para milhares de pessoas.</p>
<p>Recebemos ligações com dúvidas sobre como envelhercer bem, onde encontrar informações sobre Alzheimer, e dividindo experiências pessoais com idosos.</p>
<p>Para quem quiser me ver no programa, abaixo está o vídeo.</p>
<p><object id="wmvObj" width="416" height="360" classid="clsid:6bf52a52-394a-11d3-b153-00c04f79faa6" codebase="http://activex.microsoft.com/activex/controls/mplayer/en/nsmp2inf.cab#Version=5,1,52,701"><param name="FileName" value="mms://datarate.com.br/Filmes/Show/231210.wmv" /><param name="AutoStart" value="true" /><param name="ShowControls" value="true" /><param name="url" value="mms://datarate.com.br/Filmes/Show/231210.wmv" /><param name="showcontrols" value="true" /><param name="autostart" value="true" /><param name="filename" value="mms://datarate.com.br/Filmes/Show/231210.wmv" /><param name="url" value="mms://datarate.com.br/Filmes/Show/231210.wmv" /><embed id="wmvObj" width="416" height="360" type="application/x-mplayer2" src="mms://datarate.com.br/Filmes/Show/231210.wmv" FileName="mms://datarate.com.br/Filmes/Show/231210.wmv" AutoStart="true" ShowControls="true" url="mms://datarate.com.br/Filmes/Show/231210.wmv" showcontrols="true" autostart="true" filename="mms://datarate.com.br/Filmes/Show/231210.wmv" /></object></p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_2395" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-2395  " title="Participação no programa Show Mais" src="http://www.marianaterapeutaocupacional.com/wp-content/uploads/2011/01/Participação-no-programa-Show-Mais-300x230.jpg" alt="" width="300" height="230" /><p class="wp-caption-text">Com o Dr. Germano Polizel, Dra. Patricia Porto e Darcio Arruda</p></div>
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		<title>O amor sem interesse</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jan 2010 21:59:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana Fulfaro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Vídeos]]></category>
		<category><![CDATA[Abandono]]></category>
		<category><![CDATA[Cuidador]]></category>
		<category><![CDATA[Inclusão]]></category>

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		<description><![CDATA[Sempre me questiono sobre o quanto cada um consegue se doar de verdade para uma pessoa. Estar alí, apoiando para o que der e vier. Acredito que a hora em que as pessoas ficam mais fragilizadas e precisam desse suporte é quando alguma doença está em jogo. Aqui mesmo no blog temos algumas histórias falando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sempre me questiono sobre o quanto cada um consegue se doar de verdade para uma pessoa. Estar alí, apoiando para o que der e vier.</p>
<p>Acredito que a hora em que as pessoas ficam mais fragilizadas e precisam desse suporte é quando alguma doença está em jogo. Aqui mesmo no blog temos algumas histórias falando desses momentos, como no post &#8220;<a title="Gerações de abandono" href="http://www.marianaterapeutaocupacional.com/geracoes-de-abandono/" target="_blank">Gerações de abandono</a>&#8221; e no &#8220;<a title="Abandono e a doença de Alzheimer" href="http://www.marianaterapeutaocupacional.com/abandono-e-a-doenca-de-alzheimer/" target="_blank">Abandono e a doença de Alzheimer</a>&#8220;.</p>
<p>O vídeo abaixo fala um pouco sobre isso, do suporte que podemos dar a alguém que amamos. Ele é bem curtinho e não tem falas, mas é emocionante!</p>
<p>P.S.: Preciso avisá-los que em todas as vezes em que assisti esse vídeo fiquei com um mega nó na garganta&#8230;</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="445" height="364" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/PZURMgNzC5Q&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;border=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="445" height="364" src="http://www.youtube.com/v/PZURMgNzC5Q&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;border=1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
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		<title>Gerações de abandono</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Dec 2009 00:49:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana Fulfaro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Histórias de Vida]]></category>
		<category><![CDATA[Idosos]]></category>
		<category><![CDATA[Abandono]]></category>
		<category><![CDATA[Cuidador]]></category>

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		<description><![CDATA[Dulce estava cansada de passar dia e noite no hospital. Nem sabia direito o que estava fazendo lá, não estava doente, e sua mãe era como uma tia distante. Contudo, algo fazia com que ela permanecesse ali, firme. Cuidava de Esmeralda, que tinha ido ao hospital apenas para fazer alguns exames. Aos 92 anos, era [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dulce estava cansada de passar dia e noite no hospital. Nem sabia direito o que estava fazendo lá, não estava doente, e sua mãe era como uma tia distante. Contudo, algo fazia com que ela permanecesse ali, firme.</p>
<p>Cuidava de Esmeralda, que tinha ido ao hospital apenas para fazer alguns exames. Aos 92 anos, era obesa, falava pouco e quase não conseguia respirar por causa da água em seus pulmões. Em seus primeiros dias de internação, praticamente não ficava sozinha, Dulce não a deixava.</p>
<p>O cuidado chegava a ser excessivo. Acompanhava todos os meus atendimentos, ajudava a mãe a comer, a trocar de roupa e passava longas horas fazendo companhia. Mas apesar de toda a dedicação, Dulce guardava algo amargo. Olhava para a mãe de uma maneira fria, e estava mais abatida e desgastada do que os parentes costumam ficar após alguns dias ao lado de um leito.</p>
<p><span id="more-491"></span></p>
<p>Depois de umas duas semanas já nos conhecíamos bem e, graças ao trabalho contínuo de terapia ocupacional, ela veio me contar: “Olha, para mim é muito difícil ficar aqui com a minha mãe, não repare no meu jeito. Ela nunca me deu bola, me rejeitou desde pequenininha, sempre me deixou em casa sozinha para ir viajar, e hoje sou uma das poucas pessoas que restaram em sua vida.” Uma mágoa guardada durante décadas se deixava escapar nas suas palavras.</p>
<p>A Terapia Ocupacional pressupõe que haja vínculo entre o terapeuta e o paciente, ou entre o terapeuta e os familiares. Durante o tratamento deve ser construída uma história entre as partes, e o paciente tem que se sentir à vontade e acolhido para dividir angústias e segredos.</p>
<p>Por isso, esse não era o primeiro caso em que eu via uma filha ou nora ter que tratar de alguém que já havia lhe deixado feridas no passado. Muitos idosos acabam sozinhos nos seus últimos momentos de vida por causa de erros que cometeram décadas atrás.</p>
<p>(<a title="Problemas familiares e profissionais de saúde" href="http://www.marianaterapeutaocupacional.com/problemas-familiares-e-os-profissionais-da-saude/" target="_blank">Veja aqui a história de dona Mitiko</a>)</p>
<p>A história começou a mudar, porém, quando chegou de Minas Gerais Estela, filha de Dulce e neta de Esmeralda.</p>
<p>Ela veio com o marido e o filhinho de apenas quatro anos para ajudar nos cuidados com a avó, já que a simples internação para uns exames se transformou em ida à UTI após um derrame.</p>
<p>Estela trouxe luz ao pequeno quarto enfermo. Tirou licença do emprego em sua cidade e cativou um sorriso que eu ainda não tinha visto no rosto da minha paciente.</p>
<p>Dulce não deixou de acompanhar a mãe. Muito pelo contrário, filha e neta se revezavam, e a velhinha doente jamais ficava sozinha. Ter dividido comigo as más recordações serviu apenas para que ela reunisse mais forças para continuar indo ao hospital diariamente.</p>
<p>Mas depois de algumas semanas, percebi que a alegre Estela era tão formal com Dulce quanto esta era com sua mãe. As duas conversavam, combinavam os turnos, se organizavam para cuidar da casa, mas dali nunca saíam beijos ou abraços.</p>
<p>Em uma tarde chuvosa, quando voltava para o hospital depois do almoço, Estela me parou e chorando me contou a sua parte da história. “Desde criança, fui criada pela minha avó. Tudo o que eu sei foi ela quem me ensinou. Minha mãe nunca esteve ao meu lado.”</p>
<p>Como se fosse hereditário, Dulce reproduziu a indiferença da mãe com sua própria filha, deixando-a abandonada. A velhinha Esmeralda, por sua vez, para compensar a sua ausência, cuidou de Estela.</p>
<p>Sem perceber, essas três gerações de mulheres haviam entrado em ciclo vicioso de abandono e redenção. Nesse momento, não pude deixar de pensar como seria com o filhinho de Estela. Ele também padeceria do desamparo?</p>
<p>Foram mais de 90 dias no hospital, em que avó, filha e neta tiveram que conviver comigo, a terapeuta ocupacional, e com os outros profissionais de saúde entre passagens por enfermarias e UTIs. Tudo isso sob a combinação do confronto diário com as piores lembranças de suas vidas, e o sofrimento de lidar com um dos lados mais duros da existência: o fim de Esmeralda.</p>
<p>O encontro diário forçado foi se tornando cada vez mais intenso. Ver passo a passo alguém querido definhando, e ainda ter que continuar vivendo, foi aproximando aos poucos essas mulheres, tornando-as cúmplices.</p>
<p>O tempo foi passando e o corpo da senhora de 92 anos já não estava reagindo às complicações que vieram após os derrames.</p>
<p>Quando ela se foi, Dulce e Estela estavam aos seus pés, unidas como jamais foram. A velhinha, que havia reparado seu erro criando a neta, agora via Dulce ali, tentando consertar suas próprias culpas cuidando dela. A verdade é que, à beira do abismo que separa a vida e a morte, três gerações de desamores foram reparadas em alguns meses, em um leito de hospital.</p>
<p>Quando voltou para Minas, Estela não teve dúvidas: fez a mãe juntar as malas e a levou embora para que vivessem juntas para sempre. Assim, iriam ensinar ao pequeno menino de quatro anos a não cometer grandes erros, evitando que ele tivesse algo para se desculpar quando chegasse a hora de Dulce. E de Estela. E dele mesmo.</p>
<p>Alguns dias após o falecimento de Esmeralda, antes de irem embora para Minas, Dulce e Estela vieram se despedir de mim. Apesar do fim da matriarca, elas estavam bem, felizes com o que estava por vir. O agradecimento, segundo elas, não poderia ser reproduzido em palavras, por isso ganhei de cada uma um caloroso, forte e demorado abraço.</p>
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		<title>Abandono e a doença de Alzheimer</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Jul 2009 22:25:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana Fulfaro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias de Vida]]></category>
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		<description><![CDATA[Já publiquei alguns textos sobre a doença de Alzheimer. A partir deles, é possível entender um pouco o quanto é difícil e desgastante, tanto emocionalmente quanto fisicamente, cuidar de uma pessoa querida com esse problema. Tudo começa com os pequenos esquecimentos e mudanças de comportamento. Alguns anos depois, o companheiro, ou outra pessoa da família, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já publiquei alguns textos sobre a <a title="Doença de Alzheimer" href="http://www.marianaterapeutaocupacional.com/category/neurologia/" target="_blank">doença de Alzheimer</a>. A partir deles, é possível entender um pouco o quanto é difícil e desgastante, tanto emocionalmente quanto fisicamente, cuidar de uma pessoa querida com esse problema.</p>
<p>Tudo começa com os pequenos esquecimentos e mudanças de comportamento. Alguns anos depois, o companheiro, ou outra pessoa da família, se dá conta de que tem algo errado e procura um médico, que dá a sentença: tem Alzheimer.</p>
<p>Esse diagnóstico é um marco na vida de muitas famílias. Tudo muda a partir daí, e muitos se vêem sozinhos. Não há ninguém para ajudar ou para desabafar. Mesmo os que antes faziam visitas frequentes e dividiam os almoços de domingo, agora parecem ter se esquecido de qualquer laço que possuíam.</p>
<p><span id="more-392"></span><br />
O poeta <a title="José Delcy Thenório" href="http://www.deolhonavida.com.br/?page_id=2" target="_blank">José Delcy Thenório</a>, que tem 83 anos, conseguiu condensar em seus textos os sentimentos de quem passa por um momento como esse. Compartilho com vocês dois textos dele.  A primeira poesia, &#8220;Casal Perfeito&#8221;, é uma declaração de amor. A segunda, &#8220;Desabafo&#8221;, fala do afastamento das pessoas nos momentos difíceis.</p>
<table border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="595">
<tbody>
<tr>
<td width="307" valign="top">
<h2><a title="Casal Perfeito" href="http://www.deolhonavida.com.br/?p=121" target="_blank">CASAL PERFEITO</a></h2>
<p>Vivo a sonhar acordado<br />
Vendo você ao meu lado<br />
Acessível, carinhosa<br />
É rainha da beleza<br />
Parceira de cama e mesa<br />
Temos vida cor-de-rosa</p>
<p>Dizem que tudo termina<br />
Após cair na rotina<br />
Não quero pensar assim<br />
A vida embora passagem<br />
É mais que curta-metragem<br />
Para logo ter um fim</p>
<p>Por isso faço meus planos<br />
Certo que ao passar dos anos<br />
Tudo será como agora<br />
Para que tal aconteça<br />
É preciso ter cabeça<br />
Hoje, amanhã, qualquer hora</p>
<p>Com mulher como você<br />
Que conhece o ABC<br />
Para se viver a dois<br />
Quero usufruir sem pressa<br />
Se tenho razão à beça<br />
Não deixar para depois</p>
<p>Por você tudo farei<br />
Confesso agora que sei<br />
Como se trata mulher<br />
Você é parte de mim<br />
Sou feliz por ser assim<br />
Até quando me quiser</td>
<td width="288" valign="top">
<h2><a title="Desabafo" href="http://www.deolhonavida.com.br/?p=579" target="_blank">DESABAFO</a></h2>
<p>Quando se vende saúde<br />
Certo parente aparece<br />
Mas na doença ele esquece<br />
Fato que se vê amiúde</p>
<p>Nem parece ser parente<br />
Esse indivíduo carola<br />
Para o vigário dá bola<br />
Só tem a igreja na mente</p>
<p>Lá ele bate no peito<br />
Pede perdão porque peca<br />
Quem sofre que leve a breca<br />
Agora o mal foi desfeito</p>
<p>Visitar um ser doente<br />
É demonstração de amor<br />
Esquecê-lo causa dor<br />
Se foge sendo parente</p>
<p>Afastamento, desprezo<br />
Mesmo de parente afim<br />
Queira ou não magoa sim<br />
Quem nos ombros leva o peso</p>
<p>Uns perdem a compostura<br />
Ao ver tamanha maldade<br />
Que de ofender tem vontade<br />
Mas por bom senso segura</p>
<p>Há muitos males no mundo<br />
Que podem levar à morte<br />
Ainda que seja forte<br />
Morre em questão de segundo</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<table style="height: 81px;" border="0" cellspacing="0" cellpadding="0" width="107">
<tbody>
<tr>
<td width="307" valign="top"></td>
<td width="288" valign="top"></td>
</tr>
</tbody>
</table>
]]></content:encoded>
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		<title>Problemas familiares e os profissionais da saúde</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 02:03:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mariana Fulfaro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[Histórias de Vida]]></category>
		<category><![CDATA[Idosos]]></category>
		<category><![CDATA[Abandono]]></category>

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		<description><![CDATA[Pela terceira vez seguida a equipe de serviço social tentava entrar em contato com a família de dona Mitiko. Com 66 anos, ela estava só, abandonada no leito do hospital e dependendo de pessoas estranhas para comer e trocar suas fraldas. Seu marido era alcoólatra, o filho mais velho tinha esquizofrenia e era viciado em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pela terceira vez seguida a equipe de serviço social tentava entrar em contato com a família de dona Mitiko. Com 66 anos, ela estava só, abandonada no leito do hospital e dependendo de pessoas estranhas para comer e trocar suas fraldas.</p>
<p>Seu marido era alcoólatra, o filho mais velho tinha esquizofrenia e era viciado em drogas. O caçula,  seu preferido,  tinha ido embora  para tentar a sorte no Japão.</p>
<p>Havia três anos que ela estava morando em uma casa de repouso, sozinha e sem visitas, com exceção das anuais aparições do filho mais novo em suas vindas ao Brasil. As contas de sua estadia eram pagas pelo Estado, e o dinheiro de sua aposentadoria era dividido entre o marido e seu primogênito.</p>
<p><span id="more-314"></span></p>
<p>Mitiko, no hospital para descobrir as causas de  um desmaio, tinha uma coleção de problemas:  diabetes, hipertensão arterial, osteoporose e insuficiência renal crônica. Para completar, estava desnutrida, com feridas nos calcanhares e com o diagnóstico de demência.</p>
<p>O tratamento com a Terapia Ocupacional foi indicado para que ela recuperasse a capacidade de comer sozinha. Ao longo de 20 dias, Mitiko voltou a usar os talheres, a sentir o sabor dos alimentos, e já conseguia tomar uma sopa inteira sem sujar suas roupas.</p>
<p>Em todos os nossos encontros, a saudade do caçula era evidente. Em cada lembrança, cada pergunta, ela se lembrava de seu querido Júlio.</p>
<p>No momento em que recebeu  alta hospitalar, não havia ninguém para buscá-la. O filho tão querido havia se casado e morava com os sogros em outra cidade, e sem espaço na vida dele para a mãe.</p>
<p>A esperança em voltar a morar com uma família de verdade, que surgiu assim que o filho voltou do Japão, já não existia mais.</p>
<p>Para toda a equipe de profissionais do hospital, ela era a paciente mais querida. Não reclamava, comia sem demora e não resistia a nenhum procedimento de enfermagem. E para eles, os filhos e o marido eram desnaturados e sem escrúpulos.</p>
<p>Algumas vezes também caí na tentação de julgar a família e condená-los por abandoná-la. Pensando com mais cuidado, concluí que não cabia a mim sentenciar ninguém, principalmente porque não conhecia suas histórias.</p>
<p>Só fazendo parte da família é que poderemos entender as atitudes e escolhas que cada um faz ao longo da vida. Não que eu ache justo Mitiko morar em uma casa de repouso e precisar da intervenção do serviço social para alguém ir tirá-la do hospital. Mas o meu papel – e dos outros profissionais de saúde – é ajudá-la a viver bem os seus últimos anos. Apontar culpados, a essa altura do campeonato, não irá estruturar relações que se desmancharam ao longo de uma vida inteira.</p>
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