Sempre me questiono sobre o quanto cada um consegue se doar de verdade para uma pessoa. Estar alí, apoiando para o que der e vier.
Acredito que a hora em que as pessoas ficam mais fragilizadas e precisam desse suporte é quando alguma doença está em jogo. Aqui mesmo no blog temos algumas histórias falando desses momentos, como no post “Gerações de abandono” e no “Abandono e a doença de Alzheimer“.
O vídeo abaixo fala um pouco sobre isso, do suporte que podemos dar a alguém que amamos. Ele é bem curtinho e não tem falas, mas é emocionante!
P.S.: Preciso avisá-los que em todas as vezes em que assisti esse vídeo fiquei com um mega nó na garganta…
Dulce estava cansada de passar dia e noite no hospital. Nem sabia direito o que estava fazendo lá, não estava doente, e sua mãe era como uma tia distante. Contudo, algo fazia com que ela permanecesse ali, firme.
Cuidava de Esmeralda, que tinha ido ao hospital apenas para fazer alguns exames. Aos 92 anos, era obesa, falava pouco e quase não conseguia respirar por causa da água em seus pulmões. Em seus primeiros dias de internação, praticamente não ficava sozinha, Dulce não a deixava.
O cuidado chegava a ser excessivo. Acompanhava todos os meus atendimentos, ajudava a mãe a comer, a trocar de roupa e passava longas horas fazendo companhia. Mas apesar de toda a dedicação, Dulce guardava algo amargo. Olhava para a mãe de uma maneira fria, e estava mais abatida e desgastada do que os parentes costumam ficar após alguns dias ao lado de um leito.
Já publiquei alguns textos sobre a doença de Alzheimer. A partir deles, é possível entender um pouco o quanto é difícil e desgastante, tanto emocionalmente quanto fisicamente, cuidar de uma pessoa querida com esse problema.
Tudo começa com os pequenos esquecimentos e mudanças de comportamento. Alguns anos depois, o companheiro, ou outra pessoa da família, se dá conta de que tem algo errado e procura um médico, que dá a sentença: tem Alzheimer.
Esse diagnóstico é um marco na vida de muitas famílias. Tudo muda a partir daí, e muitos se vêem sozinhos. Não há ninguém para ajudar ou para desabafar. Mesmo os que antes faziam visitas frequentes e dividiam os almoços de domingo, agora parecem ter se esquecido de qualquer laço que possuíam.
Pela terceira vez seguida a equipe de serviço social tentava entrar em contato com a família de dona Mitiko. Com 66 anos, ela estava só, abandonada no leito do hospital e dependendo de pessoas estranhas para comer e trocar suas fraldas.
Seu marido era alcoólatra, o filho mais velho tinha esquizofrenia e era viciado em drogas. O caçula, seu preferido, tinha ido embora para tentar a sorte no Japão.
Havia três anos que ela estava morando em uma casa de repouso, sozinha e sem visitas, com exceção das anuais aparições do filho mais novo em suas vindas ao Brasil. As contas de sua estadia eram pagas pelo Estado, e o dinheiro de sua aposentadoria era dividido entre o marido e seu primogênito.
Em todo território nacional encontramos serviços gratuitos de saúde mental que oferecem atendimento com equipe de reabilitação completa, com terapeutas ocupacionais, psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros.
01/01/2011
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