Como tratar tendinite?

Depois do sucesso da entrevista sobre como alimentar idosos acamados, o nosso tema agora é tendinite. Para falar sobre esse assunto, convidei um grande especialista, o Dr. Marcos Britto da Silva, médico ortopedista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Mariana Fulfaro – O que é a tendinite?

Marcos Britto da Silva – Para entendermos a tendinite, precisamos saber o que é o tendão.

O tendão é a estrutura que liga os músculos aos ossos.  Quando contraímos a musculatura, o tendão faz com que o osso se movimente.

A tendinite nada mais é do que uma inflamação no tendão, que geralmente é causada pelo atrito entre o tendão e as estruturas ao seu redor.

Mas como ocorre esse atrito? E o que fazer para diminuí-lo?

Dr. Marcos Britto da Silva é ortopedista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Dr. Marcos Britto da Silva é ortopedista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Vamos imaginar que o tendão é uma corda e o osso é um balde. Imaginemos agora que a corda está amarrada ao balde, e que quando puxamos a corda o balde se movimenta.

Suponhamos que você está em cima de uma casa puxando o balde para o telhado. Quando puxamos o balde várias vezes a corda começa a ficar gasta e com o passar dos dias ela pode esgarçar ou até mesmo romper.

Para reduzir esse desgaste causado pelo atrito, a corda desliza dentro de uma membrana que a envolve, chamada peritendão. Dentro do peritendão existe ainda uma fina lâmina de líquido que proporciona a diminuição do atrito.

Se, para puxar o balde, colocarmos uma roldana na borda da laje, o desgaste na corda será menor. Essa roldana faz o mesmo papel da peritendão.

Outra maneira de evitar o atrito entre a borda da laje e a corda é projetar o nosso corpo para fora e puxar o balde sem que a corda encoste na borda do telhado.

Da mesma forma podemos mudar a posição da mão para diminuir o atrito e evitar a tendinite no punho. A tendinite pode ser provocada por movimentos repetitivos ou agudamente por um trauma.

Como saber se uma dor que estamos sentindo no punho, por exemplo, é tendinite?

O paciente deve desconfiar de tendinite quando sente dores durante o movimento ou ao segurar objetos. As tendinites podem ocorrer também nos membros inferiores, como nas mulheres que usam sandálias amarradas nos tornozelos e que podem apresentar tendinite nos tendões responsáveis por levantar os dedos.

Anatomicamente falando, como o uso dos computadores favorece o aparecimento da tendinite?

O ato de digitar é um movimento repetitivo (puxamos o balde para o telhado centenas de vezes). O posicionamento adequado das mãos, punhos, cotovelos e ombros diminui o atrito entre os tendões e as estruturas ao seu redor (como quando puxamos o balde com o corpo para fora, evitando o atrito entre a corda e a borda da laje).

Usar o computador por si só não provoca diretamente a tendinite, porém o uso excessivo e em posições incorretas podem ser um fator coadjuvante para seu aparecimento.

O que pode acontecer quando não se faz o tratamento correto?

A tendinite sem o tratamento correto pode levar a dor crônica e a ruptura dos tendões.

O que você acha do tratamento concomitante de anti-inflamatórios, terapia ocupacional e fisioterapia para a tendinite?

O tratamento concomitante é viável, porém, prefiro o tratamento sequencial. Na tendinite o fator mais importante é a reeducação postural na execução das atividades que levaram à tendinite.

No cotovelo devemos priorizar também o alongamento e no ombro devemos fazer um reforço muscular para diminuir o impacto que ocorre durante os movimentos.

O tratamento deve ser individualizado, caso a caso, de acordo com os fatores envolvidos na gênese do problema. Anti-inflamatórios usados cronicamente podem levar a uma série de complicações e não devem ser tomados sem orientação médica.

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maio 30, 2010  Tags: ,   Posted in: Dicas de Saúde, Entrevistas, Ortopedia

  1. Cecilia - maio 30, 2010

    Muito pertinente seu artigo.Parabéns.
    Bjos

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    Mariana Fulfaro Respondeu:

    Obrigada pela visita e pelo comentário, Cecilia!

    Responder este comentário

    Rodrigo Respondeu:

    Ola
    Mariana, estive olhando o seu depoimento de como tratar uma tendinite.
    Meu nome é Rodrigo, tenho 34 anos e ja tenh a tendinite ha uns 15 anos .
    Ela não chega a ser muito forte ao extremo ao ponto de não conseguir tirar uma camisa ou segurar algum objeto. Mais ela é uma dor cronica, que se eu ficar tocando um violão por muito tempo o meu ombro do lado direito ja começa a doer.
    Eu ja fiz fisioterapia e acupuntura por um tempo, mais a dor voltou novamente.
    Atualmente eu estou fazendo uma academia por uma recomendação de um amigo que é formado em educação fisica e me disse para fazer uma academia pra ver se fortaleço um pouco a musculatura do corpo e tentar minimizar a dor.
    Sera Mariana que seria o melhor metodo a ser aplicado.
    Ja estou ha 4 meses na academia e a dor ainda não sumiu.
    Gostaria de uma indicação sua.
    Grato.
    Att.

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  2. ione brandino - maio 30, 2010

    gostewi muito principalmente quando fala do tratamento sequencial, ainda prefiro

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    Mariana Fulfaro Respondeu:

    Se você é da turma que prefere tratamento conservador, em breve falarei aqui das técnicas de conservação de energia orientadas pelos terapeutas ocupacionais e que ajudam muitíssimo no tratamento da tendinite! Obrigada pela visita!

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  3. Malu Motta - maio 30, 2010

    Muito esclarecedor. Gostei muito das comparações.
    Parabéns, como sempre!

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    Mariana Fulfaro Respondeu:

    Maluuu, mas você já é expert no assunto! Acho que você deveria dar um depoimento pra gente, isso sim! rsrsrs

    Bjus

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    Malu Motta Respondeu:

    é… expert mesmo! mas agora não sofro mais de tanta dor (em grande parte, graças a você!) aprendi a “carregar o balde” de maneira correta… e mais vazio… :)
    mas achei perfeitas as comparaçõs que ele fez.

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    Mariana Fulfaro Respondeu:

    Isso porque você respeita seu corpo! Todos deveríamos nos respeitar mais…

    Em sua homenagem vou sair da frente do comp e vou preparar um capuccino! ;D

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    Iberê Respondeu:

    Também gostei muito das comparações. Sempre imaginei meus tendões “tendiníticos” como uma corda raspando na areia. E agora toda hora em que eu faço a corda “pegar” em algum lugar, mudo de posição, hehe!

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  4. Eliane - maio 31, 2010

    Mari é sempre muito esclarecedor quando o exemplo é simples e acessível, adorei a reportagem. Beijos
    Eli

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  5. Giovana - junho 1, 2010

    Oi Mari! Super pertinente sua reportagem. Sabe que essa semana um médico que trabalha comigo me pediu para avaliá-lo, pois está com tendinite de punho de tanto escrever? Acho que vale a pena falar um pouco sobre qualidade de vida no trabalho, para aqueles que dependem exclusivamente de algumas funções para exercerem suas funções. Sugestão, tá bom?

    Um beijão pra vc!

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