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Um murro na cara de dona Josefa

14/01/2009

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Aos 65 anos, dona Josefa frequentava um grupo terapêutico para idosos no Centro de Saúde do Butantã. Ela não tinha amigos e ficava a maior parte do tempo tomando conta de casa, dos dois netos pequenos e de Terezinha, sua sogra com doença de Alzheimer. Certo dia, chegou no centro de saúde extremamente abatida. E sem um dos dentes da frente.

A doença de Alzheimer é um tipo de demência que não se sabe a causa e que ainda não tem cura. Os pacientes vão perdendo pouco a pouco a memória: se esquecem dos nomes de conhecidos, deixam o fogão aceso, se perdem no caminho de casa e não conseguem formular uma frase inteira. Com a evolução da doença, vão deixando de tomar banho, trocar de roupa e ir ao banheiro sozinhos.

Cuidar de uma pessoa doente de 86 anos estava ficando cada vez mais difícil para dona Josefa. Com o avanço da doença, sua sogra já não reconhecia mais a casa em que estava morando, acreditava que familiares mortos estavam vivos e que Josefa estava decidida a matá-la.

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Uma mão nova para Bruno

12/01/2009

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Quando Solange recebeu o telefonema da mãe avisando que Bruno estava no hospital, por um instante se arrependeu de ter largado o sertão da Bahia para tentar a vida na capital paulista. Havia deixado o filho – na época com oito anos – morando com os avós, e veio trabalhar como empregada doméstica em São Paulo. Ao saber do acidente, não pensou em outra coisa: o menino precisava vir para cá, e ser tratado no Hospital das Clínicas.

Bruno havia perdido a mão esquerda em uma moedora de cana. E não era dessas elétricas, não. No sertão baiano, onde morava, ainda usavam aquelas engrenagens de madeira puxadas por bois – como a que aparece no filme Abril Despedaçado. Foi ajudando seus avós a moer ração para o gado que o menino se distraiu, e teve o membro completamente destruído.

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