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Bernardo e a corrida pelo balão

18/02/2011

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Era junho e faltava apenas um mês para a sua festa de 16 anos, mas já andava desfilando todo-todo com seu presente: o tão sonhado relógio que trocava de pulseira.

Bernardo era alto, magro e tinha cabelos negros encaracolados. Brincalhão e bem humorado, atraía olhares inquietos das meninas e estava sempre rodeado de amigos. Os namoricos sem compromisso aumentavam na mesma proporção que sua vaidade. Gastava todos os dias uma hora se arrumando antes de ir para a escola.

Contudo, o que mexia mesmo com ele, desde pequenininho, eram os balões.
Por causa das festas juninas ninguém queria saber de outra coisa lá na comunidade além de soltar esses gigantes. Tudo era bom, do planejamento das cores até a corrida desenfreada para resgatá-lo depois do voo.

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Presente

13/01/2011

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Recebi um presente muito especial e gostaria de dividir com vocês.

Esse poema foi escrito por um senhor que atendo, pois ele tem problemas com esquecimentos.

Para mim, quanto mais energia colocamos para conseguir ou fazer um presente maior é seu valor.

Sei que no caso do seu José o empenho teve que ser enorme, o que me faz admirá-lo pela coragem em tentar, e conseguir, vencer os fantasmas da perda de memória.

Espero que gostem!

Mariana,


Escrevi para dá-lo um poema
com palavras que me vieram na hora,
na verdade, um soneto, mas agora
… onde achá-lo? Aí está o problema.

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Uma vida inteira em imagens

05/03/2010

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Nessa semana uma família, preocupada com o destino de seu patriarca, me procurou para tirar dúvidas sobre a doença de Alzheimer.
Seu Alceu sempre fez milhares de coisas, desde montaria até aulas para o exército, e a maior dúvida era o que deveriam fazer a partir de agora para oferecer todo o conforto que ele merecia.
Conversamos por um longo tempo e a conclusão foi a de que, no caso dele, o melhor caminho era revitalizar sua rotina, pois passava o dia sem vontade e em casa.
Fiz esse breve relato, porque a família do seu Alceu me mostrou um vídeo, que eles fizeram de presente para o seu aniversário, em que apareciam fotos desde quando ele era adolescente, mostrando grande parte de sua trajetória.
Depois de assistir essa homenagem me lembrei de dois vídeos. O primeiro que já está aqui no blog e mostra o envelhecimento (para assistí-lo clique aqui) e um outro da Olympus, aquela empresa que faz máquina fotográfica, que conta toda a história de uma pessoa por meio de 60.000 fotos.
Fiquei pensando na importância de se fazer o que gosta e de ter a felicidade sempre ao nosso lado.
Agora convido todos vocês para assistir ao lindo vídeo que a Olympus produziu. Detalhe para a trilha sonora que é uma delícia. :D

Nessa semana uma família, preocupada com o destino de seu patriarca, me procurou para tirar dúvidas sobre a doença de Alzheimer.

Seu Alceu sempre fez milhares de coisas, desde montaria até aulas para o exército, e a maior dúvida de seus parentes era o que deveriam fazer a partir de agora para oferecer todo o conforto que ele merecia.

Conversamos por um longo tempo e a conclusão foi a de que, no caso dele, o melhor caminho era revitalizar sua rotina, pois passava o dia sem vontade e em casa.

Fiz esse breve relato, porque a família do seu Alceu me mostrou um vídeo em que apareciam fotos desde quando ele era adolescente mostrando grande parte de sua trajetória, que eles fizeram de presente para o seu aniversário.

Depois de assistir essa homenagem me lembrei de dois vídeos. O primeiro que já está aqui no blog e mostra o envelhecimento (para assistí-lo clique aqui) e um outro da Olympus, aquela empresa que faz máquina fotográfica.

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Gerações de abandono

10/12/2009

11 comentários

Dulce estava cansada de passar dia e noite no hospital. Nem sabia direito o que estava fazendo lá, não estava doente, e sua mãe era como uma tia distante. Contudo, algo fazia com que ela permanecesse ali, firme.

Cuidava de Esmeralda, que tinha ido ao hospital apenas para fazer alguns exames. Aos 92 anos, era obesa, falava pouco e quase não conseguia respirar por causa da água em seus pulmões. Em seus primeiros dias de internação, praticamente não ficava sozinha, Dulce não a deixava.

O cuidado chegava a ser excessivo. Acompanhava todos os meus atendimentos, ajudava a mãe a comer, a trocar de roupa e passava longas horas fazendo companhia. Mas apesar de toda a dedicação, Dulce guardava algo amargo. Olhava para a mãe de uma maneira fria, e estava mais abatida e desgastada do que os parentes costumam ficar após alguns dias ao lado de um leito.

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Homenagem

09/11/2009

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Foi andando pelos corredores do Hospital do Servidor - onde sou terapeuta ocupacional da área de geriatria – que conheci o poeta José Teodoro Neto.

Logo de cara fui conquistada pela simpatia e simplicidade dele e de sua esposa, dona Maria, com quem cultiva algumas décadas de união. Por isso, eu gostaria de prestar uma homenagem a eles, mostrando um pouco do trabalho do seu José.

Depois de boas conversas – e de ser presenteada com  uma linda capelinha em madeira – descobri que ele já ganhou alguns prêmios com seus versos, e que tem até obra exposta lá na Igreja de São Francisco, no centro de São Paulo.

Do alto dos seus 80 anos, José é sócio emérito da Casa do Poeta de São Paulo, e  não para de escrever. Confiram:

O NOME JOSÉ

José é um nome singelo
fácil de ser pronunciado
e até no livro sagrado
vemo-lo também escrito.
Vem dos primórdios da História
De antes mesmo de Moisés,
o primeiro dos “JOSÉS”
que foi o – JOSÉ DO EGITO.

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Abandono e a doença de Alzheimer

29/07/2009

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Já publiquei alguns textos sobre a doença de Alzheimer. A partir deles, é possível entender um pouco o quanto é difícil e desgastante, tanto emocionalmente quanto fisicamente, cuidar de uma pessoa querida com esse problema.

Tudo começa com os pequenos esquecimentos e mudanças de comportamento. Alguns anos depois, o companheiro, ou outra pessoa da família, se dá conta de que tem algo errado e procura um médico, que dá a sentença: tem Alzheimer.

Esse diagnóstico é um marco na vida de muitas famílias. Tudo muda a partir daí, e muitos se vêem sozinhos. Não há ninguém para ajudar ou para desabafar. Mesmo os que antes faziam visitas frequentes e dividiam os almoços de domingo, agora parecem ter se esquecido de qualquer laço que possuíam.

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A Velhice

10/07/2009

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Nas minhas andanças pelos livros encontrei essa poesia de José Delcy Thenório sobre o envelhecimento. Não sei se é um desabafo, mas vale a pena dar uma lida, é emocionante.

A VELHICE

Certa vez alguém me disse
Que o sintoma da velhice
É por demais conhecido
Quem tiver a visão turva
A coluna meio curva
Caminha nesse sentido

Perda de parte do tato
Do paladar e do olfato
Também são outros sinais
Passa o tempo ali na sala
Não desgruda da bengala
Pois andar firme, jamais

Um começo de surdez
Sentido mais de uma vez
Ou tremer de vez em quando
São alguns sinais de alerta
Da partida quase certa
Que o momento vem chegando

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Problemas familiares e os profissionais da saúde

03/06/2009

57 comentários

Pela terceira vez seguida a equipe de serviço social tentava entrar em contato com a família de dona Mitiko. Com 66 anos, ela estava só, abandonada no leito do hospital e dependendo de pessoas estranhas para comer e trocar suas fraldas.

Seu marido era alcoólatra, o filho mais velho tinha esquizofrenia e era viciado em drogas. O caçula, seu preferido, tinha ido embora para tentar a sorte no Japão.

Havia três anos que ela estava morando em uma casa de repouso, sozinha e sem visitas, com exceção das anuais aparições do filho mais novo em suas vindas ao Brasil. As contas de sua estadia eram pagas pelo Estado, e o dinheiro de sua aposentadoria era dividido entre o marido e seu primogênito.

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Quanto vale uma bicicleta?

04/02/2009

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Osvaldo levantou cedinho para ir trabalhar. Tomou café preto, pegou a marmita preparada na noite anterior, deu um beijo na esposa e montou em sua bicicleta rumo à serralheria. O trajeto era sempre o mesmo, seguindo de casa para o trabalho e de lá para casa, todos os dias.

Naquela manhã, no caminho para a oficina, foi surpreendido por quatro rapazes. Eles queriam roubar sua bicicleta. O pobre homem não se conformou, afinal ela era velha, nem marcha tinha e ele a usava apenas para economizar o dinheiro do ônibus. Não teve dúvidas: bateu o pé e se negou a entregar a magrela.

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Do hospício para o supermercado

21/01/2009

25 comentários

Depois de 23 anos vivendo trancafiada em um hospício, de ter levado alguns eletrochoques e tomado muita medicação, Jurema foi libertada e seguiu direto para a casa de seu irmão, em Santo André.

Aos 19 anos, com depressão, ela havia internado em um  hospital psiquiátrico. Quando a encontrei pela primeira vez, devido à sua aparência, eu jurava de pés juntos que ela tinha pelo menos 50 anos – estava, na realidade, com 43.

Após muito tempo de internação – e do pacote básico de tratamento que descrevi acima – é comum a pessoa não conseguir realizar tarefas simples como escovar os dentes, pentear os cabelos, tomar banho e até mesmo falar. Quando isso acontece dizemos, utilizando os jargões da Terapia Ocupacional, que essa pessoa “perdeu a independência”.

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