Era junho e faltava apenas um mês para a sua festa de 16 anos, mas já andava desfilando todo-todo com seu presente: o tão sonhado relógio que trocava de pulseira.
Bernardo era alto, magro e tinha cabelos negros encaracolados. Brincalhão e bem humorado, atraía olhares inquietos das meninas e estava sempre rodeado de amigos. Os namoricos sem compromisso aumentavam na mesma proporção que sua vaidade. Gastava todos os dias uma hora se arrumando antes de ir para a escola.
Contudo, o que mexia mesmo com ele, desde pequenininho, eram os balões.
Por causa das festas juninas ninguém queria saber de outra coisa lá na comunidade além de soltar esses gigantes. Tudo era bom, do planejamento das cores até a corrida desenfreada para resgatá-lo depois do voo.
Para aquele final de semana já estava tudo pronto. Era de noitinha, o céu estava aberto e sem vento, e a turma toda estava lá para assitir ao espetáculo.
Depois de muito trabalho, finalmente seu brinquedo iria voar. Agora era só dar os retoques finais para fazê-lo ganhar vida e pronto. Logo o monstro estaria no ar. Era perfeito! E só de pensar que ele mesmo havia construído aquela belezura ficava todo arrepiado.
Após o voo começava a outra parte da brincadeira: a caçada. Esse era o momento de tentar pegar uma dobradura voadora. Podia ser tanto a sua quanto a de alguém. O importante era não sair de mãos abanando. E Bernardo, que não era bobo nem nada, já estava a postos para correr.
Na disparada do bando de meninos, que saíram desesperados, ele e seus quatro amigos conseguiram subir em uma laje bem no momento em que um brinquedo passava por lá.
A adrenalina era tanta que estavam todos histéricos. E não é que Bernardo conseguiu se esticar até o último dedinho do pé e segurou em uma ponta do balão que passava sobre a laje.
Apagou, e essa foi sua última lembrança. Depois de 15 dias, quando acordou, não sabia onde estava. Em coma, não viu o bolo que sua mãe preparou para o aniversário.
Estava no terceiro andar de uma casa. Ao alcançar o brinquedo, perdeu o equilibrio e caiu. Sua sorte foi a rede elétrica que o segurou e amenizou a queda até o chão. Perdeu o balão e a festa de aniversário. Ganhou queimaduras de segundo grau pelo corpo, um traumatismo craniano e algumas vértebras quebradas. Por causa disso, não vai mais à escola e não consegue falar, andar, mexer um dos braços e entender o que falamos.
Hoje, está fazendo terapia ocupacional para voltar a comer, trocar de roupa, estudar, namorar e fazer outras coisas sozinho.
Sua vaidade é tão grande que a primeira coisa que faz quando chega em minha sala é se olhar no espelho e ver se seu cabelo está no lugar. Ainda mais agora que já consegue se arrumar com as duas mãos.
Depois de algumas sessões, segurar objetos grandes e leves não é mais um problema, e se esfregar sozinho no banho é uma vitória. Agora o próximo passo é ajudá-lo a coordenar seus movimentos, pois ainda tem dificuldade em direcionar as mãos. E o relógio novo? Esse roubaram quando Bernardo estava estirado na rua…




25/01/2012 em 9:37 pm
Mari o trabalho do terapeuta ocupacional é tão fascinante, mas ele exerce um pouco da fisioterapia, há varias coisas que é função do terapeuta ocupacional como coordernar movimentos etc. e as pessoas só lembra de falar fisioterapia, na verdade qual é a diferença entre as duas profissões? no final desse ano se Deus quiser entrarei no curso de terapia ocupacional e quero ter na ponta da lingua uma defesa que coloque esse curso MARAVILHOSO em alta.
27/01/2012 em 8:05 pm
Olá, Angla!
Olha essa entrevista que eu dei, talvez ajude:
http://www.webradio.saude.gov.br/podcasts/19.01.2012%20MARIANA%20FULFARO.mp3
28/01/2012 em 8:49 pm
nooosaaaa que ajuda eim , obrigada Mariana se Deus quiser no final desse ano vou fazer parte dessa profissão abençoada
03/01/2012 em 2:21 am
Sou vestibulando e prestei pra T.O na UFPR, adorei tudo sobre esse curso, e o seu site é maravilhoso, como é gostoso ajudar as pessoas, esta de parabens fique com Deus, espero passar no vestiba, sai amanha o resultado
19/01/2012 em 11:58 am
E qual foi o resultado, Gustavo?
02/08/2011 em 7:11 pm
Ô Mari linda, o site tá lindo!!! Uma organização bonita de ver, parabéns!!! Nem precisa dizer o que te desejo, né??? MUITO sucesso e cada vez mais reconhecimento. Um orgulho de ter vc como amiga, pois é amigas que nunca se viram pessoalmente! kkkkk
Bjo lindona e mais e mais sucesso!!!
16/04/2011 em 9:16 am
Mari…
como sinto orgulho de poder dizer a todos que além de uma incrível T.O. vc é uma incrível pessoa…
saudades de vc… to vendo se consigo ajudar na atualização da lista dos CAPS…
Muitos beijos com saudades…
Lari TO35
16/04/2011 em 5:55 pm
Ô, querida! Brigadão!
Desse lado também tem muita saudade. Vamos marcar algo?
Bjus
11/04/2011 em 2:34 pm
Olá. Tenho uma dúvida, talvez você possa esclarecer.
Qual a diferença entre terapia ocupacional e laborterapia?
Obrigada
07/04/2011 em 3:13 pm
Boa tarde Mariana,
Curso Terapia Ocupacional e cada vez que vejo, leio, e sinto historias como essas e tantas outras, me fazem ter ainda mais certezas que quero um dia ser TERAPEUTA OCUPACIONAL e lutar pela VIDA, pelo SER HUMANO.
Grande abraço.
10/04/2011 em 4:05 pm
Que bom Bárbara! Olhar e sentir o outro são propriedades importantes de um terapeuta ocupacional!
Aproveite o curso!
02/04/2011 em 10:29 am
Mariana,
Parabens pelo trabalho e a forma de divulgação da profissão.
Estou no primeiro semestre em T.O. e com certeza seu trabalho serve de exemplo assim como para muitos outros.
Obrigada.
10/04/2011 em 4:09 pm
Obrigada, Vera!
Você está convidada a aparecer por aqui outras vezes! ;D
20/03/2011 em 11:11 am
me emocionei com sua historia pois tenho um filho Bernardo que também faz um acompanhamento com to com problemas menos grave, mas ele adora e esta evoluindo muito bem.
parabéns pela profissão.
17/03/2011 em 6:35 pm
parabens por suas historias me emocionei bastante com elas
parabens pela pessoa que voce é..
irei começar me breve T.O nao vejo a hora de poder fazer que nem voce
um grande beijo e um grande abraço
07/03/2011 em 11:06 am
Emocionei!
Sou universitária de Terapia Ocupacional,estou no primeiro ano, e não vejo a hora de poder atende-los, de ser útil nessa evolução.
Parabéns pelo blog.
23/02/2011 em 11:17 pm
Ola Mariana , bonita estoria , me interessei pois o nome Bernardo é o nome do meu filho , ele falesceu dia 30 de setembro de 2010, hoje fiz minha matricula para a facul de T.O será um recomeço pra mim após essa perda , meu Bernardo tinha 1 ano e 5 meses,pensei que não fosse aguentar,mas graças a Deus ele tem me fortalecido .Admiro vc como um exemplo de T.O .A partir de agora serei uma frequentadora assidua ..bjo
22/02/2011 em 10:19 pm
Ei Mariana!
Sou terapeuta ocupacional e achei seu blog por acaso no google.
Gostei bastante do conteúdo =)
Também tenho um site, acho interessante esse novo meio de fornecer informações.
Depois acesse:
http://www.crescerto.com.br
Abraço!
18/02/2011 em 8:01 pm
Mariii!!!
Descobri seu blog hj acredita?? Rs.
Pois é… conhecemos bem esses dramas… mas fico feliz dessas pessoas encontrarem pessoas competentes como vc pra ajudar nessa nova empreitada q a vida os colocou…
Agora serei leitora assidua… bjos
18/02/2011 em 4:08 pm
Uaauuu!!! Saudades de suas historias.
18/02/2011 em 2:33 pm
história forte que faz com que reflitamos sobre o que somos, como somos e principalmente sobre a força interior que mantém ou não cada um em pé, vivo, vencendo desafios…
abs
18/02/2011 em 10:08 am
Parabéns cara Mari,
Está muito bonito, muito educativo e interessante.
Vou divulgá-lo junto a professoras de adolescentes!
Um grande abraço,
Prof. Jarmuth/Campos do Jordão